
Homenagem ao Patrono João Guimarães Rosa da ALB-MG/ZMM
“João Guimarães Rosa permanece vivo, não apenas nas páginas que escreveu, mas na consciência que despertou”.

Hoje, ao celebrarmos os 118 anos do nascimento de João Guimarães Rosa, não apenas
reverenciamos um escritor, mas nos inclinamos diante de uma consciência que
soube transformar o sertão em metáfora da existência. Rosa não escreveu apenas
sobre veredas e jagunços; escreveu sobre o homem em sua travessia, sobre o
eterno diálogo entre finitude e transcendência.
O sertão rosiano é mais que geografia: é destino, é enigma, é palco onde se encena o
drama universal da liberdade e da escolha. Em cada palavra reinventada, em cada
neologismo ousado, Rosa nos lembra que a linguagem é ponte entre o visível e o
invisível, entre o chão áspero da realidade e o horizonte metafísico da
esperança. Sua obra é um convite à escuta, escuta da terra, da memória, da
alma.
Como médico, Rosa conheceu a dor concreta dos corpos; como diplomata, enfrentou a
barbárie histórica; como escritor, transfigurou ambas as experiências em arte
que consola, inquieta e ilumina. Sua vida foi testemunho de coragem silenciosa,
e sua literatura, um exercício de ética e beleza. Ao lado de Aracy, sua
companheira de bravura, Rosa mostrou que o humanismo não é abstração, mas gesto
que salva vidas e dignifica a história.
A Academia de Letras do Brasil seção Minas Gerais e seccional Zona da Mata Mineira, ao
render-lhe esta homenagem, reafirma que Rosa é mais que Patrono: é farol. Sua
obra nos ensina que o sertão está em toda parte, porque o sertão é dentro da
gente. E, ao celebrarmos sua memória, celebramos também a possibilidade de que
a palavra, quando guiada pela verdade e pela imaginação, seja capaz de
transformar o mundo.
“João Guimarães Rosa permanece vivo, não apenas nas páginas que escreveu, mas na
consciência que despertou”.
Manhuaçu-MG, 27 de junho de 2026.
Comendador Fabrício Santos
Presidente Fundador da ALB-MG/ZMM
Instituto Gotland
Equipe editorial